Você quer a cura da causa ou só dos sintomas?

Ir a um médico não quer dizer que se está buscando cura. Uma coisa é a cura dos sintomas outra coisa é a cura da vida, da causa.
Sintomas físicos podem ter uma causa psicológica. É o que estudamos na medicina psicossomática. Somatizar é ter no corpo um sofrimento originado na mente. Há sofrimentos emocionais que alteram o funcionamento de órgãos em nosso corpo e daí surgem sintomas físicos psicossomáticos.

Quanto mais uma pessoa somatiza, ou seja, “joga” para o corpo o que é emocional, mais se distancia da cura e mais se afasta da percepção do que teria que ser enfrentado para ser curada. No processo de cura verdadeira é necessário, em muitos casos, ter percepção consciente da causa do sofrimento, para poder fazer-se novas decisões que serão saudáveis no seu estilo de vida.

Nosso corpo ajuda a mente a lidar com aquilo que a mente sozinha pode não estar capacitada naquele momento da vida a administrar. É quando surgem sintomas psicossomáticos. Veja um exemplo.

No filme “Melhor é Impossível”, com Jack Nicholson, havia uma garçonete que sufocava o filho que tinha asma. A asma é um sufoco, e aquela mãe sufocava a criança com superprotecionismo. No fundo ela queria proteção para ela mesma. Sendo ela ativa e independente, precisaria de proteção? Quando chorou amargamente tomando consciência de seu vazio interior as coisas mudaram. Ela se deu conta de sua falta de um companheiro que a pudesse amar, ela conseguiu lidar com sua dor. Foi quando percebeu que estes sentimentos que se tornaram conscientes estavam antes escondidos e aparentemente não a perturbavam. E ela canalizava tudo para o excesso de cuidado para com o garoto. Ela sufocava o garoto que poderia ser uma maneira de tentar sufocar seus próprios sentimentos de solidão.

Assim que ela libertou o menino de sua excessiva proteção, ele começou a melhorar da asma. Foi deixando de ser sufocado pela asma e pela mãe. E a mãe se sentiu mais aliviada porque estava aprendendo a lidar conscientemente com suas emoções difíceis. O menino já havia usado os melhores remédios para a asma. Estava em tratamento há anos, sem obter cura. A cura começou a chegar quando, finalmente, começou a acontecer a cura da vida. Dele e da mãe.

O paradigma anterior era: o menino precisa da mãe desesperadamente e diante de qualquer ameaça de perde-la piorava da asma. A mãe “precisava” da asma do filho para que sua vida tivesse um sentido, ou seja, para não precisar tomar consciência de suas dores emocionais pessoais.

O paradigma posterior foi: o menino poderia receber o amor da mãe sem sufoco e a mãe poderia se acalmar e confiar na capacidade do menino viver sem sua superproteção, o que significa que ela poderia também viver com seus sentimentos mais difíceis em nível consciente e lidar com eles de maneira construtiva. Não seria mais necessário ter um sintoma físico na vida para viver.

Esta é cura da causa, cura para a vida.

Menos do que isto é tratamento de sintomas, que tem seu lugar, mas que não resolvia o problema básico daqueles personagens e de muitos na vida real, que pode envolver dificuldade de autovalorização, de intimidade afetiva (não é sexo), perdão, confiança, amar e ser amado.

Alguns sintomas físicos, psicossomáticos, portanto, podem ser conseqüência da necessidade da pessoa expressar pelo corpo aquilo que está conflitante na mente. Pode ser uma forma de evitar se confrontar com sentimentos dolorosos e difíceis. É como se a mente dissesse para o corpo: “Você pode me dar uma ajudinha, pois este conflito aqui em cima está tão difícil para mim!” Então o corpo “absorve” o sofrimento mental no processo que chamamos de “somatização”, e a pessoa pode experimentar certo alívio mental, mas padecer fisicamente. Geralmente os médicos irão, então, tratar esta parte física comprometida, que é o tratamento sintomático. Você vai se contentar com isso? E a causa?

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