Setembro Amarelo: previna o suicídio

suicídioDe acordo com o primeiro boletim epidemiológico sobre suicídio, divulgado pelo Ministério da Saúde, entre 2011 e 2016, 62.804 pessoas tiraram suas próprias vidas no país, 79% delas são homens e 21% são mulheres.

Por isso, o Setembro Amarelo é uma campanha que busca trazer o diálogo e prevenir o suicídio, já que, segundo a Organização Mundial da Saúde, 90% dos suicídios poderiam ser evitados com ajuda psicológica.

O suicídio é considerado um problema de saúde pública e mata 1 brasileiro a cada 45 minutos e 1 pessoa a cada 45 segundos em todo o mundo. Ou seja, são 32 brasileiros mortos por dia, taxa superior às vítimas da AIDS e da maioria dos tipos de câncer.

 

Como ajudar alguém que é suicida e salvar uma vida?

Uma pessoa suicida pode não pedir ajuda, mas isso não significa que a ajuda não seja desejada. Pessoas que tiram suas vidas não querem morrer – elas só querem parar de sentir dor. A prevenção do suicídio começa com o reconhecimento dos sinais de alerta e levá-los a sério.

Se você acha que um amigo ou membro da família está pensando em suicídio, você pode ter medo de falar sobre o assunto, mas falar abertamente sobre pensamentos e sentimentos suicidas pode salvar uma vida.

A Organização Mundial da Saúde estima que aproximadamente 1 milhão de pessoas comentem suicídio por ano. O suicídio é uma tentativa desesperada de escapar do sofrimento que se tornou insuportável. Mas apesar de seu desejo de que a dor pare, a maioria das pessoas suicidas está profundamente conflituosa em acabar com suas próprias vidas. Eles desejavam que houvesse uma alternativa ao suicídio, mas simplesmente não conseguem ver uma.

 

Equívocos comuns sobre suicídio

Mito: As pessoas que falam sobre suicídio não farão isso.

Fato: Quase todo mundo que tenta suicídio deu alguma pista ou aviso. Não ignore referências indiretas a morte ou suicídio. Declarações como “Você vai se arrepender quando eu partir”, “Eu não posso ver nenhuma saída”, – não importa se seja de forma casual ou de brincadeira – podem indicar sérios sentimentos suicidas.

 

Mito: Qualquer um que tente se matar deve estar louco.

Fato: A maioria das pessoas suicidas não é psicótica ou insana. Eles devem estar chateados, afligidos, deprimidos ou desesperados, mas a angústia extrema e a dor emocional não são necessariamente sinais de doença mental.

 

Mito: Se uma pessoa está determinada a se matar, nada vai detê-la.

Fato: Mesmo a pessoa mais gravemente deprimida tem sentimentos mistos sobre a morte, oscilando até o último momento entre querer viver e querer morrer. A maioria das pessoas suicidas não quer a morte; eles querem que a dor pare.

 

Mito: Pessoas que morrem por suicídio são pessoas que não estavam dispostas a procurar ajuda.

Fato: Estudos de vítimas de suicídio mostraram que mais da metade procurou ajuda médica nos seis meses anteriores à morte.

 

Mito: Falar sobre suicídio pode dar a ideia a alguém.

Fato: Você não dá ideias mórbidas a uma pessoa suicida falando sobre suicídio. O oposto é verdadeiro – abordar o assunto do suicídio e discuti-lo abertamente é uma das coisas mais úteis que você pode fazer.

 

Sinais de alerta de suicídio

A maioria dos indivíduos suicidas dá sinais de alerta ou sinais de suas intenções. A melhor maneira de prevenir o suicídio é reconhecer esses sinais de alerta e saber como reagir se você os identificar.

suicídioSe você acredita que um amigo é suicida, você pode desempenhar um papel na prevenção do suicídio, apontando as alternativas, mostrando que se importa e procurando um médico ou psicólogo.

Os principais sinais de alerta para o suicídio incluem falar ou escrever muito sobre a morte ou morrer, e procurar coisas que poderiam ser usadas em uma tentativa de suicídio, como armas e drogas.

Esses sinais são ainda mais perigosos se a pessoa tiver um transtorno de humor, como depressão ou transtorno bipolar, sofrer de dependência de álcool, tiver tentado suicídio anteriormente ou tiver história familiar de suicídio.

Um sinal de alerta de suicídio mais sutil, mas igualmente perigoso, é a falta de esperança. Estudos descobriram que a falta de esperança é um forte indício de suicídio. As pessoas que se sentem sem esperança podem falar sobre sentimentos “insuportáveis”, prever um futuro sombrio e afirmar que não têm nada pelo que esperar.

Outros sinais de alerta que apontam para um quadro mental suicida incluem mudanças dramáticas de humor ou mudanças súbitas de personalidade, como ir de extrovertido a agressivo rapidamente. Um suicida também pode perder o interesse pelas atividades do dia-a-dia, negligenciar sua aparência e mostrar grandes mudanças nos hábitos alimentares ou de sono.

 

Sinais de alerta de suicídio incluem:

Falar sobre suicídio – Qualquer conversa sobre suicídio, morte ou autoagressão, como “Eu gostaria de não ter nascido”, “Se eu te ver de novo …” e “Eu estaria melhor morto”.

Buscar meios letais – Buscar acesso a armas, pílulas, facas ou outros objetos que poderiam ser usados ​​em uma tentativa de suicídio.

Preocupação com a morte – Foco incomum na morte ou na violência. Escrever poemas ou histórias sobre a morte.

Nenhuma esperança para o futuro – Sentimentos de desamparo, desespero e estar preso (“Não há saída”). Crença de que as coisas nunca vão melhorar ou mudar.

Baixa autoestima – Sentimentos de inutilidade, culpa, vergonha e ódio. Sentindo-se como um fardo (“Todo mundo ficaria melhor sem mim”).

Dizer adeus – Visitas inesperadas ou ligações para familiares e amigos. Dizer adeus às pessoas como se elas não fossem vistas novamente.

Afastamento – Afastar-se de amigos e familiares, aumentando o isolamento social. Desejo de ser deixado sozinho.

Comportamento autodestrutivo – Aumento do uso de álcool ou drogas, condução imprudente, sexo inseguro. Correr riscos desnecessários como se eles tivessem um “desejo de morte”.

Sensação súbita de calma – Uma súbita sensação de calma e felicidade depois de estar extremamente deprimida pode significar que a pessoa tomou a decisão de tentar o suicídio.

 

Dicas de prevenção de suicídio:

Fale se estiver preocupado

suicídioSe você identificar os sinais de alerta de suicídio em alguém de quem gosta, talvez se pergunte se é uma boa ideia dizer alguma coisa. E se você estiver errado? E se a pessoa ficar com raiva? Em tais situações, é natural sentir-se desconfortável ou com medo. Mas qualquer um que fale sobre suicídio ou mostre outros sinais de alerta precisa de ajuda imediata – quanto mais cedo melhor.

Conversar com um amigo ou membro da família sobre seus pensamentos e sentimentos suicidas pode ser extremamente difícil para qualquer um. Mas se você não tem certeza se alguém é suicida, a melhor maneira de descobrir é perguntar. De fato, dar a uma pessoa suicida a oportunidade de expressar seus sentimentos pode proporcionar alívio da solidão e de sentimentos negativos reprimidos, e pode impedir uma tentativa de suicídio.

Formas de iniciar uma conversa sobre suicídio:

“Eu tenho me sentido preocupado com você ultimamente.”

“Recentemente, notei algumas diferenças em você e me perguntei como você está se sentindo.”

“Eu queria ter uma conversa com você porque você não parece bem ultimamente.”

Perguntas que você pode fazer:

“Quando você começou a se sentir assim?”

“Aconteceu alguma coisa que fez você começar a se sentir assim?”

“Como posso te apoiar melhor agora?”

“Você já pensou em conseguir ajuda?”

O que você pode dizer ajuda:

“Você não está sozinho nisso. Estou aqui para você.”

“Você pode não acreditar agora, mas a maneira como você está se sentindo vai mudar.”

“Eu posso não ser capaz de entender exatamente como você se sente, mas eu me preocupo com você e quero ajudar.”

“Quando você quiser desistir, diga a si mesmo que vai adiar por apenas mais um dia, uma hora, um minuto – o que você conseguir.”

 

Oferecer ajuda e suporte

Se um amigo ou membro da família é suicida, a melhor maneira de ajudar é oferecendo um ouvido amigo e atencioso. Deixe seu conhecido saber que ele ou ela não está sozinho e que você se importa.

No entanto, não assuma a responsabilidade de fazer bem a ele. Você pode oferecer apoio, mas não pode melhorar para uma pessoa suicida. Ele ou ela tem que fazer um compromisso pessoal com a recuperação.

É preciso muita coragem para ajudar alguém que é suicida. Testemunhar um ente querido lidando com pensamentos sobre o fim de sua própria vida pode provocar muitas emoções difíceis. Como você está ajudando uma pessoa suicida, não se esqueça de cuidar de si mesmo. Encontre alguém em quem você confie – um amigo, membro da família, clérigo ou conselheiro – para conversar sobre seus sentimentos e obter apoio próprio.

 

Para ajudar uma pessoa suicida:

Obtenha ajuda profissional. Faça tudo o que estiver ao seu alcance para conseguir que uma pessoa suicida receba a ajuda de que precisa. Ligue para uma linha de crise para aconselhamento e referências, como o CVV, Centro de Valorização da Vida, 188.

Acompanhamento no tratamento. Se o médico prescrever medicação, certifique-se de que seu ente querido o tome como indicado. Esteja ciente dos possíveis efeitos colaterais e não se esqueça de notificar o médico se a pessoa parece estar piorando. Geralmente, leva tempo e persistência para encontrar a medicação ou a terapia certa para uma pessoa em particular.

Seja proativo. Aqueles que contemplam o suicídio muitas vezes não acreditam que podem ser ajudados, então você pode ter que ser mais proativo em oferecer assistência. Dizer “ligue para mim se você precisar de alguma coisa” é muito vago. Não espere que a pessoa ligue para você nem retorne suas ligações. Passe, ligue novamente, convide a pessoa para sair.

Estimule mudanças positivas no estilo de vida, como uma dieta saudável, bastante sono e sair ao sol ou à natureza por pelo menos 30 minutos todos os dias. O exercício também é extremamente importante, pois libera endorfinas, alivia o estresse e promove o bem-estar emocional.

Faça um plano de segurança. Ajude a pessoa a desenvolver um conjunto de passos que ele promete seguir durante uma crise suicida. Ele deve identificar gatilhos que possam levar a uma crise suicida, como um aniversário de perda, álcool ou estresse nos relacionamentos. Também inclua números de contato para o médico ou terapeuta da pessoa, bem como amigos e familiares que ajudarão em uma emergência.

Remova meios potenciais de suicídio, como pílulas, facas, aparelhos de barbear ou armas de fogo. Se a pessoa estiver propensa a tomar uma overdose, mantenha os medicamentos trancados ou distribua apenas quando a pessoa precisar deles.

Continue seu apoio a longo prazo. Mesmo depois que a crise suicida imediata tiver passado, fique em contato com a pessoa, fazendo o visitas periodicamente. Seu apoio é vital para garantir que seu amigo ou ente querido permaneça na trilha de recuperação.

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